Conferências de abertura abordam o tema Big Data, Interface e Sociedade Digital


29 de agosto de 2014 Por Redação

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Solenidade de Abertura do 5º Simpósio Internacional de Ciberjornalismo na UFMS

Texto de
Lairtes Chaves, Ana Schirmer e Bárbara Cavalcanti

Com auditório cheio e pesquisadores de diversas regiões do país e exterior, aconteceu na última quarta (27), às 20h00 a Conferência de Abertura do 5º Simpósio Internacional de Ciberjornalismo, no auditório do Complexo Multiuso da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.

A conferência evidenciou a necessidade de respostas rápidas de quem trabalha com informação frente ao cenário de inovações e avanços tecnológicos que tem modificado tudo no nosso tempo, na prática do jornalismo e nas ciências sociais.

Mediada pelo Prof. Dr. Gerson Luiz Martins, formaram o debate os pesquisadores Walter Teixeira Lima (UMESP), Eduardo Pelandra (PUCRS) e João Canavilhas (Portugal). Cada um apresentou suas pesquisas a respeito do tema do simpósio, sendo eles Big Data, Interface e Sociedade Digital, respectivamente.

Bigdata

“O jornalista adora novidades, mas detesta mudanças em seu modo de fazer”

Professor e pesquisador da Universidade Metodista de São Paulo, Dr. Walter Teixeira Lima, trouxe para a abertura a discussão sobre bigdata, definido pelo pesquisador como a “internet das coisas”, grande conjunto de dados organizados que permitem que a informação esteja em todos os lugares, possibilitando inclusive uso em pesquisa de semântica, imagens e vídeos.

O pesquisador destaca que apesar do considerável aumento de dados pelas organizações, o percentual de dados que se pode processar tem caído. Isto porque já se sabe da importância dos bancos de dados, mas não se começou ainda a trabalhar esses dados sistematicamente, em grandes volumes que permitam essa dimensão semântica. Cruzar dados meramente não é fazer bigdata.

O Bigdata é antes de qualquer coisa, uma nova oportunidade para profissionais da informação de relevância social e para empresas de mídia. Estimula e precisa  de novas formas de organização e de ganho de capital pelas empresas, de novos conhecimentos e habilidades pelos profissionais de informação de relevância social.

E porque a insistência no termo “profissionais da informação de relevância social”? Acontece que para Walter Lima, “a palavra jornalista tem conotações que não cabe mais. Talvez na modernidade ainda caiba, mas não na contemporaneidade”.

Para o pesquisador é necessário um despertar pelas ciências sociais, nas pesquisas e na formação dos profissionais para essa necessidade tecnológica. “Ciência da Computação é considerada o 4º domínio científico humano”, atenta.

Da mesma forma, “empresas inteligentes de mídia são hoje empresas de tecnologia que lidam com conteúdo”, explica Lima, a exemplo do que acontece com o The New York Times que assim se define.

Nesse cenário que urge por conhecimentos diferenciados é recomendável que o jornalista então tenha seu kit de ferramentas , seja de linguagem de programação, modelagem, ou qualquer diferencial para trabalhar e viver, inovar o conteúdo na tecnologia. O Prof. Lima também indica como caminho desse cenário mudanças no modo de fazer jornalismo, no câmbio da agenda de contatos, por exemplo, pelo banco de dados pessoal organizado, e ainda da exploração de crowdsourcing que possibilita que  usuários ajudem na construção da base de dados.

Interface

O Professor Doutor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Eduardo Pellanda, apresentou algumas de suas pesquisas realizadas no Ubilab, o laboratório da Faculdade de Comunicação da PUCRS.

Entre os principais projetos apresentados se encontram o estudo do uso de aplicativos para tablets de diversos jornais impressos, que resultou na construção de um aplicativo para o jornal Zero Hora, e um estudo das tecnologias conhecidas como “wearable”, como o Google Glass e o Galaxy Gear Watch, e de suas novas possibilidades de uso.

Essas tecnologias podem ser extensivamente usadas como forma de usar a realidade aumentada, como exposto por Pellanda. O grupo no Ubilab trabalha com diversas possibilidades para aproveitar a nova interface, como por exemplo o uso do Google Glass em museus. A ideia é a de que o gadget possa oferecer ao seu usuário todas as informações necessárias sobre a obra de arte admirada, como nome do artista, data de confecção, estilo usado, principais críticas e assim por diante. A mesma tecnologia poderia ser usada enquanto o usuário caminha pelas ruas, identificando estilos arquitetônicos ou alertando-no sobre os locais próximos compatíveis com os seus interesses.

O grupo de pesquisa do laboratório também analisou diferentes jornais impressos e suas respectivas adaptações para a interface dos tablets por meio de aplicativos próprios. O resultado foram três diferentes classificações para o aproveitamento da nova interface: os jornais que simplesmente copiavam o layout do papel, os que adicionavam recursos multimídia ao aplicativo apesar de usar o mesmo layout do modelo impresso e os aplicativos que adotavam modelo próprio de disposição do conteúdo além de usar recursos multimídia. A pesquisa rendeu um aplicativo diferenciado para o Jornal Zero Hora, do grupo RBS, adaptado para a melhor leitura e aproveitamento do conteúdo na nova interface.

O Ubilab conta com duas parcerias importantes que possibilitam o avanço dessas pesquisas, uma com o Mobile Experience Lab (MEL) do MIT e outra com o grupo RBS, que atualmente tem um escritório dentro do campus. A parceria com o MIT rendeu a plataforma Locast U (disponível para consulta em locast.mit.edu), onde usuários e colaboradores compartilham notícias por meio de sua localização geográfica. A mesma plataforma foi reorganizada e agora é usada pela Unicef com o nome de “Youth Mapping”, com intuito de localizar os pontos problemáticos da cidade do Rio de Janeiro na visão dos jovens

Sociedade  Digital

João Canavilhas, professor doutor da Universidade Beira do Interior de Portugal, focou durante sua palestra sobre os dispositivos móveis e a personalização do jornalismo.

 “O que todos nós dessa sala temos em comum é que todos nós temos um celular no bolso”, comentou o professor sobre o crescimento do uso dos dispositivos móveis. Esse crescimento se dá também pela facilidade e consequente aceleração no processo de aprendizagem. 90% dos europeus mantem-se informados pelos sites noticiosos em alternativa ao impresso tradicional.

Outras razões para o sucesso do celular vão desde a mobilidade, a segurança e a portabilidade, até o entretenimento, a moda e ao status, que fazem a ligação à identidade do proprietário.

Com este sucesso dos dispositivos móveis, o professor comentou sobre as transformações pelas quais o jornalismo também passa. Na distribuição, o principal desafio da distribuição é a instantaneidade das noticias; os produtos têm de lidar com conteúdos hipermultimidiaticos e a recepção com o atual consumo individual e móvel.

 Este mercado segmentado é um dos pontos principais da palestra de Canavilhas. Ele enfatiza ainda sobre a constante e dinâmica mudança dos novos formatos multimídias, atendendo a essa demanda personalizada, finalizando com a citação do teórico Jarvis (2009): “É melhor servir aos nichos do que servir mal ás massas”

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