Desafios das novas tendências no jornalismo marcam conferência de abertura do 7º Ciberjor

Conferência de abertura do 7º Ciberjor

Conferência de abertura do 7º Ciberjor

A conferência de abertura do 7º Congresso Internacional de Ciberjornalismo aconteceu na quarta-feira, 5 de outubro, na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e teve como tema o “Ciberjornalismo e modelos de produção: appificação e desafio glocal”. Os conferencistas Denis Renó, da Universidade Estadual Paulista (UNESP), e Irati Agirreazkuenaga, da Universidade do País Basco (UPV), apresentaram pesquisas sobre as tendências do jornalismo e análises de participação do público com os cibermeios.

Para Irati Agirreazkuenaga, a ascensão dos cibermeios permite maior participação da sociedade, que pode interagir por meio de comentários e compartilhamentos nas mídias sociais. A pesquisadora afirma que, no entanto, esta participação muitas vezes é diluída e não é envolvida pela esfera pública. “Nos cibermeios, muita gente participa, mas essa participação pode não levar a nada, a nenhuma mudança. Então, abordei durante a conferência, sobretudo, a participação política. ‘Como fazer com que as pessoas se interessem mais pela política por meio dos cibermeios?’. Acredito que este é um debate pertinente”.

A Professora Irati Agirreazkuenaga conduziu a apresentação a partir de três questões centrais: a participação do público com os cibermeios, a viralização de conteúdos, utilizada pelos meios para atrair mais leitores, e a transformação que os cibermeios podem proporcionar às comunidades. “Em um primeiro momento tento interpretar a participação direta do público com os cibermeios e analisar como esta interação pode levar a mudanças no cenário político, principalmente. Então, discuto como os cibermeios trabalham com a viralização de conteúdo para atrair maior participação e que em decorrência da produção de conteúdos com o propósito de serem virais, as informações se tornam banais. Além disso, termino a apresentação com a questão da transformação, em que comunidades vulneráveis utilizam meios alternativos para deixarem de ser objetos dos meios hegemônicos e passarem a ser atores da esfera pública”.

Prof. Dr. Denis Porto Renó (UNESP)

Prof. Dr. Denis Porto Renó (UNESP)

Segundo Irati Agirreazkuenaga, é fundamental trazer estas pesquisas ao congresso porque é uma oportunidade de enriquecer o conhecimento pela troca de experiências entre pesquisadores de vários países do mundo. “Nós que estamos na Europa precisamos também estar em contato com diferentes países e realidades para conhecer novas pesquisas, que muito podem contribuir com as nossas”.

Para o Professor Denis Renó, o evento permite que as apresentações provoquem debates entre os participantes sobre temas urgentes e pertinentes para a área do jornalismo, principalmente. “Em todas as conferências, gosto de terminar as apresentações com algumas provocações. Neste ano, quis levantar questões sobre o futuro do jornalismo. ‘Qual é o nosso futuro dentro desse jornalismo transmídia? Quero fazer todos pensarem o que será o jornalismo. Será de imersão? Precisamos discutir isso”.

Durante a conferência, Denis Renó apresentou um histórico sobre o jornalismo transmídia para explicar o modelo como base de um novo formato de produção, em que a appificação é fundamental. “Trago nesta pesquisa dados o crescimento da utilização da imagem como narrativa. Verificamos que hoje muitas reportagens são construídas apenas a partir de fotografias. Este estudo busca levantar o debate acerca das novas tendências, tecnológicas e como a appificação será recebida pelo público e pelos profissionais”.

Por Iasmim Amiden

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