Oficina discute conceitos e práticas relacionadas ao uso de imagens e vídeos em 360 graus

Pereira mostrou o funcionamento de uma câmera 360 graus (Foto: EJ Brava)

A oficina “Narrativas jornalísticas com fotografias e vídeos 360 graus”, ministrada pelo Professor Silvio Pereira, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), durante o primeiro dia do evento do 8º Congresso Internacional de Ciberjornalismo, explorou os conceitos e as características dessa nova forma de produção de conteúdo jornalístico que envolve fatores espaciais e sensoriais e que resultam na criação de Realidade Virtual (RV). Além disso, o professor discorreu sobre as dificuldades, as vantagens, os riscos e os desafios dessa nova tecnologia presente em muitas empresas jornalísticas na contemporaneidade.

Na primeira parte da oficina, Pereira levou os participantes a campo para mostrar o funcionamento técnico de uma câmera 360 graus e demonstrou que existe a possibilidade de se fotografar de modo panorâmico com o uso do smartphone, por meio de aplicativos especializados. O professor recomendou que todos instalassem o Câmera Cardboard, app do Google para celulares Android, que permite produzir fotografias em todas as direções de um cenário com ou sem som e simular uma visão em RV.

O resultado da produção experimental feita pelos membros da oficina, nos corredores da universidade, foi visualizado por meio do uso de óculos de realidade virtual.

Num segundo momento, no Laboratório de Redação do Curso de Jornalismo da UFMS, o professor explicou teoricamente como funcionam as etapas para se fotografar e filmar em 360 graus, desde a produção e tratamento até a inserção e visualização desse conteúdo multissensorial em plataformas de publicação como o WordPress e em redes sociais.

Os participantes produziram fotografias com o uso do smartphone (Foto: EJ Brava)

Segundo Pereira, a câmera 360 graus é uma oportunidade a mais para o jornalismo, pois possibilita ao usuário um alto grau de imersão. “Ela não vem substituir a câmera retangular, mas traz possibilidades de uma visão na qual o observador fica no centro de algo que é mais completo e complexo como imagem. Tende a ser mais sensível, parece que eu estou lá no local do acontecimento”.

Pereira ainda debateu questões éticas que envolvem o uso dessa nova tecnologia em experiências de narrativas imersivas. Para ele, esse novo fazer jornalístico não deve contrariar os princípios básicos da apuração, relevância, engajamento social, verdade e outras premissas que garantem a confiança e a informação com qualidade. “O jornalismo vai tentar vender esse suposto ‘realismo’. Não diria que é melhor ou se aproxima de uma realidade mais crível”.

Uma das participantes, a radialista Fábia Belo, afirma ter escolhido participar da oficina, pois acredita que a câmera 360 graus é o futuro do jornalismo. “Hoje, vivemos na imersão do vídeo e da fotografia. É muito interessante essa interatividade e sensorialidade que o observador pode ter mediante a conteúdos não estáticos. Podemos estar numa passeata mesmo sem sair de casa”.

Por Lucas Castro (Comissão Ciberjor)

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